Ponte Entre o Naturalismo e o Neo-Realismo

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Ferreira de Castro Uma bela e sólida ponte entre Naturalismo e Neo-Realismo

por Pedro Calheiros

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Neste tempo de piruetas televisivas, há urgência em ler ou reler Ferreira de Castro, e rever-se no espelho, ao mesmo tempo singelo e grandioso, e bem límpido da sua vida, que não perdeu actualidade, como alguns poderão fazer crer. Este escritor, de quem se comemora, ou deveria comemorar condignamente, este ano o centenário do seu nascimento, tem ainda muito para nos ensinar, que mais não seja a sua lição de coragem e dignidade, e sobre o respeito sagrado que se deve à Justiça, ao semelhante; o que não é, sem sombra de dúvidas, nada que se possa desprezar. Neste virar de século, com o liberalismo económico desenfreadamente reinando, com o umbilismo despudorado a pendurar-se em todos os poleiros engalanados, a simplicidade, a autenticidade de Ferreira de Castro deve ser oposta, atirada à cara ou às máscaras dos escribas e seus mandantes; seria salutar opor à hipocrisia, à comédia de enganos de muitos destes ajoelhados, a verticalidade do escritor de Ossela, a sua pugnacidade e a sua bondade modelares; não há que ralar-se com as finas bocas que rezam aos deuses da arte pela arte, que fazem esgares de pessoas pretensamente superiores, embriagados pelo perfume das suas flores de estilo e que cospem no campo pouco ou menos bem cheiroso, ou que eles têm por tal, da lavra ficcional de Ferreira de Castro.

A estes não me cansarei de lembrar, assumindo o risco de me repetir, uma máxima de Machado de Assis , que ninguém poderá acusar de se ter arregimentado nas hostes de alguma capela ou igreja literárias, muito menos se elas tivessem por livro de culto algum evangelho de cariz mais acentuadamente ideológico, nem mesmo formalista. Dizia o mestre brasileiro que a arte é mais que passatempo e menos do que apostolado.

Outro grande e originalíssimo sacerdote poético, pela origem humílima e pelo lugar que alcançou, António Aleixo, também lhes poderia ser apontado e sugerido que a ele se confessem. A arte poética não ficaria enlameada -apesar do seu cheiro a urze - se a estética que adoptassem se inspirasse destes versos do poeta popular: Se poeta sou /Sei a quem o devo / Ao Povo a quem dou / Os versos que escrevo /Essa harmonia entre forma e fundo / que eu gostaria de ver florir no Mundo. Que não se riam das coisas simples, mas profundas, sentidas, ditas ou escritas com voz própria e presença sincera.

O estilo de Ferreira de Castro pode, por vezes, ser muito rente ao dizer, digamos assim, servindo-me de uma expressão de Eugênio de Andrade, mesmo se o estilo deles é bem diferente, sendo o do autor de A Lã e a Neve certamente menos metafórico do que o do poeta, menos codificado, sem as preciosidades e o hermetismo mallarmésianos, ou distinto do novo romance, ou daquele assim chamado, e que, por sinal, envelheceu bem depressa, quase logo à nascença. Ouvi pessoalmente Robbe Grillet confessar que alguns dos processos de que andara à procura, encontrara-os, tardiamente, já a sua obra estava realizada e catalogada, em Lawrence Sterne.

Parecida confissão ouvi também a Abelaira; ao falar do seu Outrora, Agora, revelou a sua tardia descoberta dos processos inovadores da prosa de Machado de Assis.

Sinuosos caminhos da originalidade, das vocações e de seus arcabouços.

1. O pai da vocação de Agustina Bessa-Luís

Agustina Bessa-Luís, num "Testemunho", publicado no In Memoriam de Ferreira de Castro, escrevia em Novembro de 1974: Quando li A Selva tinha quinze anos ou dezasseis, e meu pai, grande leitor de epopeias e aventuras, disse-me : «É a história da vida. Para meu pai, homem de tumultuosas caminhadas entre os mares de Brasil e Portugal, a história da vida implicava talento e risco e certa melancolia que se desdobra em todo o acontecer, afortunado ou não.10

Esta confissão velada, discreta, pudorosa, feita cinco meses após o falecimento do escritor, é reforçada com um outro testemunho mais extenso e mais significativo por ocasião do vigésimo aniversário da morte de Ferreira de Castro. Agustina Bessa-Luís acaba por revelar que deve a Ferreira de Castro a sua vocação de escritora :

Quando eu tinha quinze anos, ou menos ainda, meu pai deu-me A Selva com a recomendação de ler o maior escritor português. Não sei que impressão colhi exactamente; mas foi como a de Corregio que o fez exclamar perante um quadro de Rafael: «Anch'io sono pittore». Há emoções que despertam uma vocação só de nascerem duma revelação. Um escritor faz escritores antes de fazer leitores. Anuncia a parcela de alma para quem criou um mundo. Eu disse: «Também eu sou escritora».11

Neste texto evocativo, Agustina, relendo a correspondência que recebera de Ferreira de Castro, lembra comovida o mais parisiense dos portugueses de então, que foi para ela, até ao fim, um conselheiro prudente, mesmo em circunstâncias que rasavam os campos da política, precisando que o escritor fora sempre um mestre que (a) prevenia e moderava os (s)eus arrebatamentos e cóleras de juventude.12

Agustina fala, com emoção e saudade, não só do escritor, mas também do homem rigoroso, moral, um pouco ácido com as pessoas que fazem da cultura um adereço banal; como tinha razão Ferreira de Castro de agir assim e a escritora portuense de o lembrar então; Agustina refere-se ainda ao peregrino do mundo, que leva consigo uma espécie de esperança errante que sabe bem que nunca há - de amar inteiramente. Por ser fugidia e orgulhosa demais para se deixar prender nas ilusões humanas.13 Agustina conta uma viagem que fez pelo Amazonas, pensando em Ferreira de Castro, esse encontro com o português de Manaus como uma espécie de oração.14 Para a autora de A Sibila, que (s)e prendia a cada passo por ele dado, para (ela) o Amazonas resplandecia da presença de Ferreira de Castro.15 Agustina afirma que como ele, nunca encontr(ou) ninguém.16 Depois de recordar a exposição dos seus restos mortais na Cooperativa Árvore, no Porto, onde o foi ver, onde achou que não havia bastante homenagem aos seus despojos, não podendo deslocar-se a Sintra, para participar no Colóquio do vigésimo aniversário da morte do escritor, Agustina acaba o seu renovado testemunho afirmando que onde quer que esteja (...) (tem) um pensamento glorioso para esse homem, severo e compassivo, que a Serra de Sintra guarda.17

2. A mão solidária de Jorge Amado

No Brasil, a emulação também existiu. Em 1971, os irmãos Vilalobos que continuaram a cruzada de Rondon pela protecção dos índios do seu país, declararam que a sua acção foi inspirada, em grande parte, pela leitura de «A Selva» 18

Por diversas vezes, Jorge Amado exprimiu toda a admiração que sempre nutriu pela obra de Ferreira de Castro. Debrucemo-nos, com algum vagar, sobre o depoimento que escreveu para o Colóquio Internacional "Ferreira de Castro na Contemporaneidade Portuguesa", organizado em Sintra, por ocasião do vigésimo aniversário da morte do autor de A Selva. O escritor brasileiro, que foi conjuntamente proposto para o Prémio Nobel com o nosso autor, reconhece o que deve a Ferreira de Castro nestes termos: Quando publiquei Cacau, em 1932, Ferreira de Castro, já consagrado, veio de público, na imprensa portuguesa, dar-me o seu estímulo, num artigo que foi de fundamental importância para o jovem aprendiz de escritor: senti-me consagrado aos vinte anos de idade. Jamais seu incentivo me faltou no curso do meu trabalho19. Jorge Amado lembra comovido o jantar que Ferreira de Castro organizou na sala de trânsito do aeroporto de Lisboa, em 1953, reunindo à volta deles outros escritores portugueses bem vigiados pela PIDE durante todo esse encontro fraterno; vindo de Moscovo, Jorge Amacio fez escala no aeroporto de Lisboa, mas encontrava-se proibido de entrar no nosso país; Ferreira de Castro organizou o jantar, enfrentando os furores da PIDE, o ódio dos donos do poder fascista. Nunca me senti tão emocionado em toda a minha vida, comenta Jorge Amado.20 O criador de Dona Flor e Seus Dois Maridos recorda também que Ferreira de Castro foi o primeiro a subir a escada do navio em que chegou a Lisboa, em 1966, com a notícia de que ele, a mulher e a filha poderiam saltar em Lisboa, a interdição fora suspensa de poisarem solo português; Ferreira de Castro não podia conter a alegria, ele, esclarece Jorge Amado, que era o grande escritor português, naquele então o principal entre todos os que escrevíamos em língua portuguesa. O escritor brasileiro reconhece e confessa que Ferreira de Castro sempre foi o arauto de boas novas, mão solidária, palavra acolhedora.21

3. A dívida de Namora e da sua geração

Filosofando sobre as modas que chegam, modas que partem, sobre a alternância de esquecimentos e devoções, sobre as marés literárias, Fernando Namora, rendendo uma muito profunda homenagem a Ferreira de Castro, diz que só passa por elas quem as merece. Este sábio texto do autor de O Trigo e o Joio, publicado no In Memoriam de Ferreira de Castro, abre com esta frase de bom mondador: Não se vive para cima de meio século de ofício das letras sem passar por purgatórios. Namora faz notar que as confrarias literárias de todos os países se afirmam guerreando, ainda que apontem a alvos os menos indicados. O criador de Casa da Malta acha que esses humores, esses fluxos e refluxos, essas guerrilhas, são a seiva da cultura, e, enfim, entre tantos mais factores estimulantes ou erosivos, mas todos naturais, a acrimónia pelos que obtêm audiência - sentida como uma espécie de tara, talvez a única que não se perdoa. Explicitando o seu pensamento Namora escreve: Apenas os medíocres podem fruir as unanimidades, a paz de não terem detractores, estes tanto mais ferozes quanto mais se agiganta o objecto da sua contestação.22

O humaníssimo autor de Retalhos da Vida de Um Médico evoca para explicar tais obstinações- e talvez obstipações, acrescento eu -, a inevitável «revolta contra o pai» observada naqueles que escolhem um caminho e, num dado momento, desvalorizam as fontes para evidenciarem a sua emancipação, e talvez sobretudo um certo aristocracismo letrado, que aos poucos vai criando o seu dialecto e abjurando os que o recusam, tudo isso, acrescenta Namora, teria forçosamente de repercutir em Ferreira de Castro, numa alternância de esquecimentos e devoções. Reconhecendo o que ele e os escritores da sua geração lhe deviam Namora declara: Ferreira de Castro, exemplo de militância literária e cívica, um nome universal onde os nomes nem nacionais chegam a ser, não pôde, obviamente, ficar isento desses episódicos limbos. E acrescenta Namora: Embora o seu prestígio «popular», digamos assim, jamais tivesse declinado, numa ou noutra fase o minimundo caprichoso das letras teve para com ele alguns prejuízos e algumas desatenções.23

4. O pecado e o comovido tributo de Vitorino Nemésio

Honra seja feita a Vitorino Nemésio que, no seu comovido tributo -segundo as suas próprias palavras - evocando o convívio que tivera com Ferreira de Castro, na célebre tertúlia de Brito Camacho, reconhece a grandeza do autor de A Selva, da qual não se dera inteiramente conta na altura. Referindo-se a excelente pessoa, à pomba sem fel, ao homem que era a bonomia em pessoa, camarada leal, de uma singeleza sem rebusca, Nemésio interroga: Quem não havia de admirar escritor tão humano, de tanta novidade na relação (cá raríssima) entre obra e vida vivida?24

Depois de qualificar o autor de Emigrantes como um notável romancista de testemunho e de referir a explosão de celebridade mundial de Ferreira de Castro, inegavelmente a maior da literatura portuguesa moderna, Nemésio teve a ombridade de lamentar não ter reconhecido, a seu tempo, tanto quanto devia o valor do autor de A Selva. O criador de Mau Tempo no Canal diz a sua mea culpa nestes termos: Confesso o meu pecado, nesse tempo, de certa atenção distraída que eu dava à obra do amigo. Éramos muito diferentes em gostos estilísticos, embora com grandes afinidades de feitios. Relações pessoais sempre sem uma nuvem: contactos literários menos perfeitos, raros. Ele era muito mais generoso do que eu. Mandava-me pontualmente, nos últimos tempos, os seus livros. Mão me regateava palavras de um pouco perdulário apreço.25

Apresentando a existência livre e desafogada de Ferreira de Castro como escritor-repórter nato, que qualifica de obra-prima existencial, Nemésio não esquece de lembrar as muitas generosidades e abnegações que se lhe conhecem. O criador de O Verbo e a Morte reconhece ainda que A Selva é proverbialmente a obra-prima de Ferreira de Castro e refere-se a A Lã e a Neve, Eternidade e a Experiência como sendo obras excepcionalmente conseguidas. Com toda a justeza, Nemésio não deixou de recordar o belíssimo conto.O Senhor dos Navegantes, que segundo o poeta de Eu, Comovido a Oeste, rivaliza sem desfavor (no texto que transcrevemos está fervor, mas trata-se certamente de uma gralha) com O Doido e a Morte teatral de Raul Brandão, para além do achado quase idêntico do tema. Nemésio revela que teve o gosto de ler «in loco» (salvo os horrores do «barracão») A Selva e de ter podido palpitar pelo menos a exactidão climatérica, ambiental, daquela grande reportagem novelística, que Blaise Cendrars estilizou em francês para glória e voga universal da literatura portuguesa. O contista de O Mistério do Paço do Milhafre rejubila-se por a tradução de A Selva nem às línguas eslavas nem ao magiar ter escapado.26

Por todas estas razões, Nemésio termina o seu comovido tributo com estas saudosas e desiludidas palavras, a propósito do enterro de Ferreira de Castro: Enfim, fui-lhe esperar o féretro ao pé do jardim da Estrela, para o depositar ao pé da campa de Fielding, de onde lá seguiu ao seu romanesco eterno descanso numa vereda de Sintra. Já os cravos de Abril tinham perdido algumas pétalas. Feliz dele, optimista, que não assiste ao cair de outras?27

5. O Vaticínio de Luiz Francisco Rebello

Luiz Francisco Rebello, Presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, aceitou participar no Colóquio sobre "Ferreira de Castro e a Contemporaneidade Portuguesa" e louvou a feliz iniciativa da Câmara Municipal de Sintra, que assim retira do injustíssimo esquecimento a que, nos últimos tempos, tem sido votado, em certa medida, um dos nossos grandes romancistas deste século. Luiz Francisco Rebello disse estar convicto de que a obra do autor de A Selva será, no século XXI, tão compreendida e admirada como o foi no tempo que a viu nascer.28

Luiz Francisco Rebello afirmou a perenidade da criação literária de Ferreira de Castro nestes termos altamente encomiásticos e verdadeiros: Fruto de uma experiência humana dolorosamente vivida e artisticamente transposta, no que tem de melhor e mais duradouro, esteticamente paradigmática da transição da literatura romanesca do século XIX para o século XX, ou seja, da neutralidade naturalista para uma arte socialmente empenhada ( e daí que Ferreira de Castro haja sido apontado como percursor do neo-realismo), a sua obra - e aqui sim, atrevo-me a fazer futurologia - subsistirá, nesta transição que não é só de um século para outro porque é de um milénio para outro milénio, como um documento humaníssimo e uma mensagem de confiança em valores que nenhuma técnica, por mais aperfeiçoada e avassaladora, poderá destruir.29 Deixemos de lado a descuidada ou rápida afirmação sobre a neutralidade naturalista (poder-se-á verdadeiramente dizer que eram neutros Les Rougon-Macquart, O Crime do Padre Amaro, O Primo Basílio e tantas outras obras deste cariz?) e retenhamos o reconhecimento desta função de elo imperecível entre o naturalismo e o neo-realismo.

6. Um dos modelos de Oscar Lopes

No testemunho que enviou para o colóquio de Sintra celebrando a passagem do vigésimo aniversário do falecimento de Ferreira de Castro, Oscar Lopes afirmou que o autor de Emigrantes e de A Selva ou de Eternidade não foi um autor como os outros, - foi o primeiro escritor da sua classe social, que se antecipou aos neo-realistas (afinal em grande parte universitários, nos anos 30).30

Este grande crítico e historiador da nossa literatura confessou mesmo que se considerava um neo-realista (título de que até não gostara) nunca, tal como Mário Dionísio), seguindo uma pauta que, entre os seus modelos, conta com A Lã e a Neve, 1947, apesar de certas fraquezas deste livro.31 Oscar Lopes aponta, sem o explicitar, como debilidade aquilo que sobrou de naturalista ainda na prosa de Ferreira de Castro, o gosto pelas largas descrições. Com efeito, Oscar Lopes assinalando um dos defeitos que o escritor nem sempre soube vencer, escreve: a sua narração é por vezes vagarosa, perde-se em minúcias inúteis, traça muito completamente as cenas, e por vezes falha.32

O autor de Modo de Ler e de Ler e Depois pergunta, todavia, onde há cenas mais certeiras do que algumas que figuram em A Selva ou em Emigrantes? Coloca igualmente esta questão: Onde há uma personalidade tão completa como a do velho anarquista Marreta de A Lã e a Neve, sem esquecer a cena nocturna da tempestade de neve na Serra da Estrela.33

Oscar Lopes afirma que Ferreira de Castro veio a ser a representação literária do povo rural português e que A Lã e a Neve é o seu livro mais equilibrado (apesar de lhe faltar o fundo epopeico da Amazónia)34

7. A grandeza de Ferreira de Castro, segundo Urbano Tavares Rodrigues

No texto "A Obra de Ferreira de Castro e o Neo-realismo Literário em Portugal", Urbano Tavares Rodrigues salienta que o grande mestre de Ferreira de Castro foi, é sabido, a própria vida, a experiência da emigração, da miséria, do sofrimento; lembra porém, que entre os seus mentores, além de Hugo e de Eugène Sue, estavam Zola, especialmente o de Germinal e Le Travail e os grandes escritores russos, de Tolstoi e Gogol a Máximo Gorki. Urbano Tavares Rodrigues realça ainda o facto de Ferreira de Castro ter sido o primeiro escritor português que começ(ou) a desbravar o terreno que os neo-realistas virão cultivar com espírito programático a partir do final da década de 3O.35

Depois de sugerir como, em Germinal, a arte de narrador de Zola transformou a reportagem em romance, Urbano Tavares Rodrigues estabelece a aproximação entre o naturalismo de Zola e de Ferreira de Castro e o neo-realismo de Alves Redol ou de Soeiro Pereira Gomes, nestes termos: Outro tanto se verifica nas ficções de Ferreira de Castro, como Emigrantes ou Terra Fria (A Selva, sua esplêndida obra-prima está tão perto do vivido que quase cola à existência do autor) e depois em muitos romances de Alves Redol, e até certo ponto nos de Soeiro, também muito à beira do directamente observado. Referindo-se à visão da história como luta de classes, característica do neo-realismo, Urbano Tavares Rodrigues assegura que em Ferreira de Castro divisamos já essa claridade, essa esperança que, antes de ser neo-realista, é humanista, acrescentando que lhe parecia inteiramente justo reconhecer a grandeza desse sopro de fraternidade, dessa ânsia de justiça social, que muito contribuiu para a expansão e a internacionalização da obra de Ferreira de Castro36.

Nesse texto, Urbano Tavares Rodrigues consagra límpidos e elogiosos parágrafos ao protagonista de Emigrantes e proclama que A Selva é o livro excepcional, que se escreve uma só vez na existência de um romancista: a narrativa matricial, cântico, elegia, tragédia, diário de suplícios e deslumbramentos. Urbano pensa também que o pioneiro que fora Ferreira de Castro não ficou indiferente ao aparecimento dos primeiros textos neo-realistas e que se deixou   impregnar parcialmente pela nova corrente  literária: o percursor que fora Ferreira de Castro é por seu turno marcado peio maior rigor da nova escola, pelo estudo a qve, uns mais do que outros, procedem os expoentes desta literatura cujo «deus oculto» é o marxismo. Isso nota-se -prossegue Urbano Tavares Rodrigues -, particularmente na elaboração dos romances A Lã e a Neve (1947) e A Curva da Estrada (1950)37.

O autor de Exílio Perturbado afirma que em A Curva da Estrada, numa fase da evolução do neo-realismo literário português em que a subjectividade reconquista os seus direitos, Ferreira de Castro demonstra um conhecimento da alma humana e uma capacidade de caracterização psicológica das personagens que nunca ainda a sua obra, com semelhante riqueza, nos havia dado. No balanço final da sua apreciação crítica da obra do autor de Instinto Supremo, Urbano Tavares Rodrigues declara: O que por vezes falta nos romances de Ferreira de Castro, carpinteirados aliás com amplo fôlego, em subtileza e elegância estilística sobeja-lhe neste fervor social, que não pactua com qualquer visão cor de rosa do mundo, antes viceja, robusto, entre as contradições, desfalecimentos e crises da nossa espécie. A grandeza de Ferreira de Castro vem daí, da força desse amor.38 O autor de Desta Água Beberei rende assim justiça ao escritor português que talvez mais a tenha amado e que provavelmente mais por ela lutou, fazendo, nesta conclusão do seu texto, um elogio que muitos outros autores poderão invejar.

8. Figueira Gomes, Roberto Nobre, Namora, Migueis, Jaime Brasil e o pioneirismo de Ferreira de Castro

Alberto Figueira Comes, por ocasião do 33.º Aniversário da publicação de uma obra-prima - cujo cenário é a Madeira -, referindo-se, obviamente, a Eternidade, não deixa também de assinalar o pioneirismo do autor de Emi­grantes com estas calorosas e entusiásticas observações: O nome de Ferreira de Castro inscreve-se ao alto, entre os de maior vulto, nome bem digno de um Prémio Nobel. Na revolução literária, ele fora o primeiro a abordar, com penetração e coragem, o romance de tendência social - com essa obra-prima que é A Selva, genial e áspera como um brilhante estranho.39

Roberto Nobre, nobre amigo do escritor, no artigo intitulado "O Escritor e Manuel da Bouça", publicado no Comércio do Porto, afirma certeiramente que Emigrantes vira(va) costas à literatura pela literatura, pois nesse romance, muito intencionalmente, o escasso nível do camponês era apresentado ali como um problema social e não apenas olhado como um displicente motivo de estilo e pitoresco. A prosa cuidada? Interroga e responde: Sim, mas límpida e dúctil, sem qualquer barroquismo. A literatura era um meio de revelar o tema e não um fim em si próprio. Não vinha fazer literatura regionalista, mas o oposto do que esta se propunha.40

Roberto Nobre acha mesmo que em muito"s dos trabalhos escritos apressadamente por Ferreira de Castro para ganhar o pão quotidiano, transparece já o seu futuro neo-realismo. Repare-se que o companheiro de o autor de Emigrantes, nem sequer apresenta o escritor seu amigo como um percursor do neo-realismo, mas como sendo já o primeiro neo-realista. Volta a fazê-lo, nesse mesmo artigo, ainda mais claramente nesta passagem: Naquele seu primeiro romance, estava o emigrante português, como paradigma do emigrante humilde de todo o mundo. Era o neo-realismo, embora então ainda assim não estivesse crismado.41 Roberto Nobre situa esse documento humano e social como a primeira manifestação mundial de uma literatura que estava para nascer. Nos dois últimos parágrafos do seu artigo, pode ler-se: Para se ter uma noção da perspectiva do novo sentido que trazia à literatura, basta notarmos que Emigrantes é de 1928, quando Tortilha Flate, de Steinbeck, é de 1938, como a Luta Incerta, deste último e a sua obra tida como a mais fortemente propulsora das novas intenções humanas e sociais, é de 1937. As Vinhas da Ira apareceria em 1939. /Chegara a hora do que se viria a chamar neo-realismo (...) Coube a Ferreira de Castro o papel de pioneiro, aquela gloriosa oportunidade do escritor que chegou na época própria, soube antevê-la e corresponder perfeitamente a ela.42

Na sua vibrante homenagem a Ferreira de Castro, no já citado texto, Fernando Namora também salienta o lado inovador do autor de Emigrantes. Escreve o criador de Fogo na Noite Escura que a literatura que se soltou das grades esotéricas e, reencontrando a gente verdadeira, os pesares comuns à maioria dos homens, a si própria se reencontrou, a literatura que, com Ferreira de Castro como pioneiro, foi específica de um tempo português e no mesmo passo, e por isso mesmo se fez universal - nem sempre, durante estas ásperas décadas, esteve na crista da onda. Acrescenta Fernando Namora: Pelo contrário. Em especial nos últimos anos, quando o formalismo gratuito se agudizou, querendo isolar as obras das estruturas mais vastas que as englobam (histórica, política, social) e, isolando-as. Apoucou as que se negavam a essa gratuitidade, nos últimos anos, quando os volúveis, que adulam as maçonarias episodicamente triunfantes e por elas são aduladas, correram a desembaraçar-se de laços comprometedores, como agora estão de novo de faro no vento - Ferreira de Castro deu mais um sinal daquela serenidade que o fez permanecer ele próprio - fiel às suas opções, às suas directrizes, ao seu molde, como fiel sempre foi às suas amizades. Serenamente coerente. Como na vida. Namora assevera que a sua morte se tornou um sfmbolo de tudo quanto foi luta e de quanto é vitória.43 Nesse mesmo depoimento, o autor de As Sete Partidas do Mundo e de Retalhos da Vida de um Médico teceu este sentido e bem justificado panegírico do criador de Eternidade: Se houve escritor que exemplificasse quanto a literatura é comunhão entre os homens, desígnio transformador, apelo à justiça e nunca à intolerância, apelo ao convívio confiante e nunca ao sectarismo que escorre sangue, se houve escritor que mostrou quanto a libertação intelectual é indissolúvel da libertação social e por esta se bate, se houve, em suma, escritor «humanista», esse foi Ferreira de Castro.44

José Rodrigues Migueis escreveu que a morte do escritor a quem prestava o seu preito deixa(va) em aberto, para a Literatura Portuguesa, uma via que lhe era desconhecida até ao momento em que se revelou - e se impôs - o extraordinário prosador de «A SELVA»: a da audiência internacional. Migueis, depois de referir o lugar invejável entre os ficcionistas de todo o Mundo ocupado por Ferreira de Castro, que a seu ver se singularizou pela indispensável sinceridade, intuição e vivência da problemática do homem contemporâneo, peia recusa da retórica e das facilidades formais, proclama que «A SELVA», «Emigrantes», «A Lã e a Neve», entre outros títulos de Ferreira de Castro, representam trabalhos de excelente nível, que o situam no plano dos romancistas válidos do nosso tempo. 45 Voltando a lembrar o lugar indisputável e invejável entre os romancistas de todos os países que Ferreira de Castro alcançou, Migueis aponta como características da obra do famoso escritor: um excepcional poder de apreensão da realidade quotidiana, um realismo multifacetado e o sentido lúcido das iniquidades sociais que esmaltaram o nosso tempo português e não só, uma vez que o romance «A Curva da Estrada», se debruça inteligentemente sobre a realidade espanhola que acompanha a guerra civil.46

Jaime Brasil, como não podia deixar de ser, atribui-lhe também a prioridade na implantação na literatura nacional da temática de preocupação essencialmente social. Escreve o grande e corajoso publicista, e fervente admirador de Zola, que Emigrantes, publicado em 1928, é cronologicamente, a primeira obra de literatura de sentido social aparecida em língua portuguesa. Deixemos de lado a afirmação excessiva e categórica que esquece algumas outras obras anteriores, em especial Amanhã de Abel Botelho, e outras portuguesas e brasileiras onde a problemática social foi surgindo, mesmo se não com aquela força e preponderância que adquiriram na obra de Ferreira de Castro, e passemos outra vez a palavra a Jaime Brasil para o ver acentuar o pioneirismo do nosso autor: Antecedeu, de vários ano, os romances de temas sociais das literaturas da América, tanto do Norte como do Centro e do Sul.47 Como vimos, Roberto Nobre também isso afirmou.

9. O espelho zoliano

Como Zola, antes dele, descendo às minas de Anzin, e como Redol, depois, que foi trabalhar na região do Douro e que embarcou com os pescadores da Nazaré, ou como Jorge Amado peregrinando pelas terras do Cacaii, Ferreira de Castro conviveu de perto com os transmontanos de Terra Fria, ou com os operários e pastores de A Lã e a Neve, ou com as bordadeiras de Eternidade, utilizando um similar método de investigação e um parecido estilo narrativo - com a diferença de não ter dogmas de suporte estruturando a ficção (no naturalismo a hereditariedade e o marxismo no neo-realismo, que dão um movimento mecanicista às obras); além disso, o autor de Emigrantes e de A Selva, também soube artisticamente transpor experiências vividas pessoalmente num registo que quase raia a autobiografia, sem apoucar o valor literário das obras onde espelhou essas vivências.

Se Ferreira de Castro prenuncia o neo-realismo, ele é também um continuador do naturalismo. Já não temos espaço para desenvolver esta questão, mas bastará ler o depoimento, com olhos de ver, que o autor de A Curva da Estrada fez a propósito de Zola, para as comemorações do cinquentenário da morte do autor dos Rougon-Macquart, para o livro Présence de Zola, publicada conjuntamente com as de Camus, Caldwell, Cocteau, Hesse, Thomas Mann, Mauriac, Maurois, Zweig, etc, para se ter uma ideia aproximada do parentesco que os une. Ferreira de Castro declara nesse testemunho que leu na sua adolescência Zola com ansiedade, que mais não fosse pelo amor à verdade e à justiça do escritor francês. Mais tarde, já na idade de análise, Ferreira de Castro, podendo então ler Zola na língua original, o criador de Nana pareceu-lhe muito maior do que ele primeiro julgara.48 Leia-se a comparação que Ferreira de Castro estabelece entre Flaubert, Balzac e Zola e melhor se aquilatará o apreço que ele tinha pelo criador de Germinal; pelo autor de J'accuse, uma força moral, como lhe chama Ferreira de Castro, a admiração não era menor, antes pelo contrário.

Ferreira de Castro diz-se convicto de que a obra de Zola exerceu no Mundo uma influência muito maior do que a de qualquer outro romancista do século XIX. Em toda a parte, prossegue o autor de A Lã e a Neve, a literatura se renova graças ao seu sopro fecundo e revolucionário. Ele foi, para o romance da sua época, o que Picasso é, de certa maneira, para a pintura moderna. O pioneiro do neo-realismo português não poupa as suas palavras para engrandecer o escritor francês que tanto estima: E, escreve ele, durante cinquenta anos, a França não teve, no estrangeiro, vozes mais altas, mais escutadas, do que a dele e a de Victor Hugo. Mesmo aqueles que, mais exigentes do ponto de vista estético, se volviam para outros padrões, não conseguiam furtar-se inteiramente à influência do criador dos Rougon-Macquart. Literária e moralmente, o «fenómeno» Zola encheu o nosso planeta durante várias décadas. E, ainda hoje, o encontramos nas raízes de muitos escritores europeus e americanos - até nas raízes de alguns que lhe negam a importância e o mérito. 49

O que Ferreira de Castro escreveu sobre Zola também poderia servir agora para o seu próprio caso. Ele também poderá ter tido influência na obra de alguns que agora fingem esquecer-se do que lhe devem, tanto como escritor, como defensor incansável da Liberdade. Medite-se nas reflexões que sugere a propósito do rio calmo e comedido que seria Flaubert e da torrente que Zola foi.

10. A ponte esquecida pelos críticos portugueses

Tudo o que aqui fica dito mais valor terá se se tiver em conta que Ferreira de Castro foi um autodidacta que teve a Amazónia, seus perigos e seus encantos, por Liceu e Faculdade.

O autor de Emigrantes acabou com o mito do brasileiro de torna-viagem na literatura portuguesa, que Camilo explorou com mestria, e que ainda hoje, episodicamente e sem vigor, ressuscita, aqui e ali, metamorfoseado em algum emigrante que vem de vacanças tomar um drink na sua terra, espaventar os seus amigos com carros que não correspondem à vida dura que geralmente leva na selva europeia ou americana onde tenta enriquecer, ou sobreviver. A riqueza de muitos deles não é muito mais avantajada do que a de Manuel da Bouça, ou em todo o caso daquela que trouxe Ferreira de Castro nas suas mãos quase vazias. O drama destes emigrantes actuais é, por vezes, ainda maior, pois não só não são, nem voltam ricos, quando podem voltar, e nem sobretudo puderam granjear o rico pecúlio intelectual com que o futuro autor de A Selva regressou ao seu país.

Pedro Álvares Cabral, cujo quinto centenário da sua chegada ao Brasil se celebrará ao virar do milénio, perdendo-se, achou o Brasil; Ferreira de Castro, enganado descobre um outro Brasil, bem diferente daquele de que lhe haviam falado, nos antípodas do Eldorado com que o fizeram sonhar. Do extravio de Cabral, Portugal deu mais um imenso e belo país ao Mundo, o seu pulmão que muitos teimam em destruir. Do logro de Ferreira de Castro nasceu uma obra de dimensão universal e uma longa e rija ponte por onde podem e devem passar seguramente as relações luso-brasileiras.

Por todas estas e outras razões que a falta de espaço obriga a calar, Ferreira de Castro é certamente uma bela e sólida ponte entre o Naturalismo e o Neo-Realismo, entre Portugal e o Brasil e mesmo entre Portugal e o Mundo.

Soubessem disso os senhores actuais das cadeiras do poder, político ou mediático e o seu centenário não passaria despercebido, afogado nos oceanos do esquecimento e dos fenomenais e espectaculares espectáculos da Expo...

Mas enfim, como escreveu generosa e sentidamente Jorge Amado, que não é tolo nenhum e que sabe o que diz e entende do que fala: Sua criação é imortal. Enquanto existir a língua portuguesa, seus livros serão lidos, enquanto existirem os povos do Brasil e de Portugal, ele está vivo, em meio a seus personagens, os seringueiros da Amazónia, os camponeses da Beira-Alta.50

Assim sendo certos mamíferos solípedes zurram, mas a caravana avança.

79 - BRASIL, Jaime in Ferreira de Castro, Ed. Arcádia, Lisboa, 1961, p. 42.

Folhas, Letras & Outros Ofícios, Ano II, N.º 3 . Aveiro: Grupo Poético de Aveiro (Junho, 1998), 48-61.

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10  - Agustina  Bessa  Luís,  "Testemunho",  no In Memoriam de Ferreira de Castro, Introdução e Estruturação de Adelino Vieira Neves, Cascais, Arquivo Bio-Bibliográfico dos Escritores e Homens de Letras de Portugal, 1976, p. 70.

11  - Agustina Bessa-Luís, "Ferreira de Castro", in Vária Escrita, n.o 3, Sintra, 1996, p. 126.

12  - Id. ibid., p. 123.

13  - Id. ibid., p. 125.

14 - Id. ibid., p. 125.

15- Id. ibid., p. 126.

16 - Id. ibid., p. 126.

17 - Id. ibid., p. 129.

18  - Obras de Ferreira de Castro, vol. I, 4- ed., Porto, Lello & Irmão - Editores, 1984, p. XLVII.

19 - Jorge Amado, "Notícia de Ferreira de Castro", in Vária Escrita, n.9 3, Sintra, 1996, p. 15

20  - Id. ibid., p. 16.

21  - Id. ibid., p. 15.

22  - Fernando Namora, "Ferreira de Castro, O Homem, O Escritor", no In Memoriam de Ferreira de Castro, Introdução e Estruturação de Adelino Vieira Neves, Cascais, Arquivo Bio-Biliográfico dos Escritores e Homens de Letras de Portugal, 1976, p. 53.

23  - Id. ibid., p. 53.

24  - Vitorino Nemésio, "Lembrando Ferreira de Castro", no In Memoriam de Ferreira de Castro, Introdução e Estruturação de Adelino Vieira Neves, Cascais, Arquivo Bio-Biliográfico dos Escritores e Homens de Letras de Portugal, 1976, p. 64-65.

25  - Id. ibid., p. 65.

26  - Id. ibid, p. 66.

27  - Id. ibid., p. 67.

28  - Luiz Francisco Rebello, "O Escritor e a Sociedade. Perspectiva para o Século XXI", in Vária Escrita, n.º 3, Sintra, 1996, p. 93 e 98.

29  - Id. ibid., p. 98.

30 - Oscar Lopes "A Contemporaneidade Histórico-Literária Portuguesa", in Vária Escrita, n.º 3, Sintra, 1996, p. 101.

31  -ld. ibid., p. 104.

32  -Id. ibid., p. 108.

33  - Id. ibid., p. 108.

34  - Id. ibid., p. 101.

35  - Urbano Tavares Rodrigues "A Obra de Ferreira de Castro e o Neo-Realismo Literário em Portugal", in Vária Escrita, n.º 3, Sintra, 1996, p. 85.

36 - Id. ibid., p. 86.

37  - Id. ibid., p. 88.

38  - Id. ibid., p. 89.

39  - Alberto Figueira Gomes, "Ferreira da Castro e a Madeira", in A Voz da Madeira, Funchal, 1966, retranscrito in Obras de Fevereiro de Castro, vol. I, 4.ª ed., Porto, Lello & Irmãos, 1984, p. 827.

40 - Roberto Nobre, "O Escritor e Manuel da Bouça", in Comércio do Porto, retranscrito in Obras de Fevereiro de Castro, vol. I, 4.ª ed., Porto, Lello & Irmãos, 1984, p. 276.

41  - Id. ibid, p. 277.

42  - Id. ibid., p. 277.

43  - Op. Cit. p. 56.

44  - Op. Cit., p. 55.

45  - José Rodrigues Migueis, "Ferreira de Castro: Exemplo de Humildade e de Sinceridade de um Operário das Letras", no In Memoriam de Ferreira de Castro, Introdução e Estruturação de Adelino Vieira Neves, Cascais, Arquivo Bio-Bíbliográfico dos Escritores e Homens de Letras de Portugal, 1976, p. 99.

46  - Id., ibid., p. 100.

47 - Jaime Brasil, Ferreira de Castro - A Obra e o Homem, reproduzido no In Memoriam de Ferreira de Castro, Introdução e Estruturação de Adelino Vieira Neves, Cascais, Arquivo Bio-Bibliográfico dos Escritores e Homens de Letras de Portugal, 1976, p. 37-38.

48  - Ferreira de Castro, "Émile Zola", Vértice, vol. XIII, n.º 114, Coimbra, Fevereiro de 1953, p. 69-70, reproduzido in Vária Escrita, n.º 3, Sintra, 1996, p. 193.

49  - Id., ibid., p.194-195.

50 . Op. Cit., p.16.

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