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Neste
tempo de piruetas televisivas, há urgência em ler ou reler Ferreira de Castro,
e rever-se no espelho, ao mesmo tempo singelo e grandioso, e bem límpido da sua
vida, que não perdeu actualidade, como alguns poderão fazer crer. Este
escritor, de quem se comemora, ou deveria comemorar condignamente, este ano o
centenário do seu nascimento, tem ainda muito para nos ensinar, que mais não
seja a sua lição de coragem e dignidade, e sobre o respeito sagrado que se
deve à Justiça, ao semelhante; o que não é, sem sombra de dúvidas, nada que
se possa desprezar. Neste virar de século, com o liberalismo económico
desenfreadamente reinando, com o umbilismo despudorado a pendurar-se em todos os
poleiros engalanados, a simplicidade, a autenticidade de Ferreira de Castro deve
ser oposta, atirada à cara ou às máscaras dos escribas e seus mandantes;
seria salutar opor à hipocrisia, à comédia de enganos de muitos destes
ajoelhados, a verticalidade do escritor de Ossela, a sua pugnacidade e a sua
bondade modelares; não há que ralar-se com as finas bocas que rezam aos deuses
da arte pela arte, que fazem esgares de pessoas pretensamente superiores,
embriagados pelo perfume das suas flores de estilo e que cospem no campo pouco
ou menos bem cheiroso, ou que eles têm por tal, da lavra ficcional de Ferreira
de Castro.
A
estes não me cansarei de lembrar, assumindo o risco de me repetir, uma máxima
de Machado de Assis , que ninguém poderá acusar de se ter arregimentado nas
hostes de alguma capela ou igreja literárias, muito menos se elas tivessem por
livro de culto algum evangelho de cariz mais acentuadamente ideológico, nem
mesmo formalista. Dizia o mestre brasileiro que a arte é mais que passatempo
e menos do que apostolado.
Outro
grande e originalíssimo sacerdote poético, pela origem humílima e pelo lugar
que alcançou, António Aleixo, também lhes poderia ser apontado e sugerido que
a ele se confessem. A arte poética não ficaria enlameada -apesar do seu cheiro
a urze - se a estética que adoptassem se inspirasse destes versos do poeta
popular: Se poeta sou /Sei a quem o devo / Ao Povo a quem dou / Os versos que
escrevo /Essa harmonia entre forma e fundo / que eu gostaria de ver florir no
Mundo. Que não se riam das coisas simples, mas profundas, sentidas, ditas
ou escritas com voz própria e presença sincera.
O
estilo de Ferreira de Castro pode, por vezes, ser muito rente ao dizer, digamos
assim, servindo-me de uma expressão de Eugênio de Andrade, mesmo se o estilo
deles é bem diferente, sendo o do autor de A Lã e a Neve certamente
menos metafórico do que o do poeta, menos codificado, sem as preciosidades e o
hermetismo mallarmésianos, ou distinto do novo romance, ou daquele assim
chamado, e que, por sinal, envelheceu bem depressa, quase logo à nascença.
Ouvi pessoalmente Robbe Grillet confessar que alguns dos processos de
que andara à procura, encontrara-os, tardiamente, já a sua obra estava
realizada e catalogada, em Lawrence Sterne.
Parecida
confissão ouvi também a Abelaira; ao falar do seu Outrora, Agora, revelou
a sua tardia descoberta dos processos inovadores da prosa de Machado de Assis.
Sinuosos
caminhos da originalidade, das vocações e de seus arcabouços.
1.
O pai da vocação de Agustina Bessa-Luís
Agustina
Bessa-Luís, num "Testemunho", publicado no In Memoriam de Ferreira
de Castro, escrevia em Novembro de 1974: Quando li A Selva tinha
quinze anos ou dezasseis, e meu pai, grande leitor de epopeias e aventuras,
disse-me : «É a história da vida. Para meu pai, homem de tumultuosas
caminhadas entre os mares de Brasil e Portugal, a história da vida implicava
talento e risco e certa melancolia que se desdobra em todo o acontecer,
afortunado ou não.10
Esta
confissão velada, discreta, pudorosa, feita cinco meses após o falecimento do
escritor, é reforçada com um outro testemunho mais extenso e mais
significativo por ocasião do vigésimo aniversário da morte de Ferreira de
Castro. Agustina Bessa-Luís acaba por revelar que deve a Ferreira de Castro a
sua vocação de escritora :
Quando
eu tinha quinze anos, ou menos ainda, meu pai deu-me A Selva com a
recomendação de ler o maior escritor português. Não sei que impressão colhi
exactamente; mas foi como a de Corregio que o fez exclamar perante um quadro de
Rafael: «Anch'io sono pittore». Há emoções que despertam uma vocação só
de nascerem duma revelação. Um escritor faz escritores antes de fazer
leitores. Anuncia a parcela de alma para quem criou um mundo. Eu disse: «Também
eu sou escritora».11
Neste
texto evocativo, Agustina, relendo a correspondência que recebera de Ferreira
de Castro, lembra comovida o mais parisiense dos portugueses de então, que
foi para ela, até ao fim, um conselheiro prudente, mesmo em circunstâncias
que rasavam os campos da política, precisando que o escritor fora sempre um
mestre que (a) prevenia e moderava os (s)eus arrebatamentos e cóleras
de juventude.12
Agustina
fala, com emoção e saudade, não só do escritor, mas também do homem
rigoroso, moral, um pouco ácido com as pessoas que fazem da cultura um
adereço banal; como
tinha razão Ferreira de Castro de agir assim e a escritora portuense de o
lembrar então; Agustina refere-se ainda ao peregrino do mundo, que leva
consigo uma espécie de esperança errante que sabe bem que nunca há - de amar
inteiramente. Por ser fugidia e orgulhosa demais para se deixar prender nas ilusões
humanas.13 Agustina conta uma
viagem que fez pelo Amazonas, pensando em Ferreira de Castro, esse encontro
com o português de Manaus como uma espécie de oração.14
Para a autora de A Sibila, que (s)e prendia a cada passo por ele
dado, para (ela) o Amazonas resplandecia da presença de Ferreira de Castro.15
Agustina afirma que como ele, nunca encontr(ou) ninguém.16
Depois de recordar a exposição dos seus restos mortais na Cooperativa Árvore,
no Porto, onde o foi ver, onde achou que não havia bastante homenagem aos
seus despojos, não podendo deslocar-se a Sintra, para participar no Colóquio
do vigésimo aniversário da morte do escritor, Agustina acaba o seu renovado
testemunho afirmando que onde quer que esteja (...) (tem) um
pensamento glorioso para esse homem, severo e compassivo, que a Serra de Sintra
guarda.17
2.
A mão solidária de Jorge Amado
No
Brasil, a emulação também existiu. Em 1971, os irmãos Vilalobos que
continuaram a cruzada de Rondon pela protecção dos índios do seu país,
declararam que a sua acção
foi inspirada, em grande parte, pela leitura de «A Selva» 18
Por
diversas vezes, Jorge Amado exprimiu toda a admiração que sempre nutriu pela
obra de Ferreira de Castro. Debrucemo-nos, com algum vagar, sobre o depoimento
que escreveu para o Colóquio Internacional "Ferreira de Castro na
Contemporaneidade Portuguesa", organizado em Sintra, por ocasião do vigésimo
aniversário da morte do autor de A Selva. O escritor brasileiro, que foi
conjuntamente proposto para o Prémio Nobel com o nosso autor, reconhece o que
deve a Ferreira de Castro nestes termos: Quando publiquei Cacau, em
1932, Ferreira de Castro, já consagrado, veio de público, na imprensa
portuguesa, dar-me o seu estímulo, num artigo que foi de fundamental importância
para o jovem aprendiz de escritor: senti-me consagrado aos vinte anos de idade.
Jamais seu incentivo me faltou no curso do meu trabalho19.
Jorge Amado lembra comovido o jantar que Ferreira de Castro organizou na sala de
trânsito do aeroporto de Lisboa, em 1953, reunindo à volta deles outros
escritores portugueses bem vigiados pela PIDE durante todo esse encontro
fraterno; vindo de Moscovo, Jorge Amacio fez escala no aeroporto de Lisboa, mas
encontrava-se proibido de entrar no nosso país; Ferreira de Castro organizou o
jantar, enfrentando os furores da PIDE, o ódio dos donos do poder fascista.
Nunca me senti tão emocionado em toda a minha vida, comenta Jorge Amado.20
O criador de Dona Flor e Seus Dois Maridos recorda também que
Ferreira de Castro foi o primeiro a subir a escada do navio em que chegou a
Lisboa, em 1966, com a notícia de que ele, a mulher e a filha poderiam saltar
em Lisboa, a interdição fora suspensa de poisarem solo português;
Ferreira de Castro não podia conter a alegria, ele, esclarece Jorge
Amado, que era o grande escritor português, naquele então o principal entre
todos os que escrevíamos em língua portuguesa. O escritor brasileiro
reconhece e confessa que Ferreira de Castro sempre foi o arauto de boas
novas, mão solidária, palavra acolhedora.21
3.
A dívida de Namora e da sua geração
Filosofando
sobre as modas que chegam, modas que partem, sobre a alternância de
esquecimentos e devoções, sobre as marés literárias, Fernando
Namora, rendendo uma muito profunda homenagem a Ferreira de Castro, diz que só
passa por elas quem as merece. Este sábio texto do autor de O Trigo e o
Joio, publicado no In Memoriam de Ferreira de Castro, abre com esta
frase de bom mondador: Não se vive para cima de meio século de ofício das
letras sem passar por purgatórios. Namora faz notar que as confrarias
literárias de todos os países se afirmam guerreando, ainda que apontem
a alvos os menos indicados. O criador de Casa da Malta acha que esses
humores, esses fluxos e refluxos, essas guerrilhas, são a seiva da
cultura, e, enfim, entre tantos mais factores estimulantes ou erosivos, mas
todos naturais, a acrimónia pelos que obtêm audiência - sentida como uma espécie
de tara, talvez a única que não se perdoa. Explicitando o seu pensamento
Namora escreve: Apenas os medíocres podem fruir as unanimidades, a paz de não
terem detractores, estes tanto mais ferozes quanto mais se agiganta o objecto da
sua contestação.22
O
humaníssimo autor de Retalhos da Vida de Um Médico evoca para explicar
tais obstinações- e talvez obstipações, acrescento eu -, a inevitável «revolta
contra o pai» observada naqueles que escolhem um caminho e, num dado momento,
desvalorizam as fontes para evidenciarem a sua emancipação, e talvez sobretudo
um certo aristocracismo letrado, que aos poucos vai criando o seu dialecto e
abjurando os que o recusam, tudo isso, acrescenta
Namora, teria forçosamente de repercutir em Ferreira de Castro, numa alternância
de esquecimentos e devoções. Reconhecendo o que ele e os escritores da sua
geração lhe deviam Namora declara: Ferreira de Castro, exemplo de militância
literária e cívica, um nome universal onde os nomes nem nacionais chegam a
ser, não pôde, obviamente, ficar isento desses episódicos limbos. E
acrescenta Namora: Embora o seu prestígio «popular», digamos assim, jamais
tivesse declinado, numa ou noutra fase o minimundo caprichoso das letras teve
para com ele alguns prejuízos e algumas desatenções.23
4.
O pecado e o comovido tributo de Vitorino Nemésio
Honra
seja feita a Vitorino Nemésio que, no seu comovido tributo -segundo as
suas próprias palavras - evocando o convívio que tivera com Ferreira de
Castro, na célebre tertúlia de Brito Camacho, reconhece a grandeza do autor de
A Selva, da qual não se dera inteiramente conta na altura. Referindo-se a
excelente pessoa, à pomba sem fel, ao homem que era a bonomia em pessoa,
camarada leal, de uma singeleza sem rebusca, Nemésio interroga: Quem não
havia de admirar escritor tão humano, de tanta novidade na relação (cá raríssima)
entre obra e vida vivida?24
Depois
de qualificar o autor de Emigrantes como um notável romancista de
testemunho e de referir a explosão de celebridade mundial de Ferreira de
Castro, inegavelmente a maior da literatura portuguesa moderna, Nemésio
teve a ombridade de lamentar não ter reconhecido, a seu tempo, tanto quanto
devia o valor do autor de A Selva. O criador de Mau Tempo no Canal diz
a sua mea culpa nestes termos: Confesso o meu pecado, nesse tempo, de
certa atenção distraída que eu dava à obra do amigo. Éramos muito
diferentes em gostos estilísticos, embora com grandes afinidades de feitios.
Relações pessoais sempre sem uma nuvem: contactos literários menos perfeitos,
raros. Ele era muito mais generoso do que eu. Mandava-me pontualmente, nos últimos
tempos, os seus livros. Mão me regateava palavras de um pouco perdulário apreço.25
Apresentando
a existência livre e desafogada de Ferreira de Castro como escritor-repórter
nato, que qualifica de obra-prima existencial, Nemésio não esquece
de lembrar as muitas generosidades e abnegações que se lhe conhecem. O
criador de O Verbo e a Morte reconhece ainda que A Selva é proverbialmente
a obra-prima de Ferreira de Castro e refere-se a A Lã e a Neve,
Eternidade e a Experiência como sendo obras excepcionalmente
conseguidas. Com toda a justeza, Nemésio não deixou de recordar o belíssimo
conto.O Senhor dos Navegantes, que segundo o poeta de Eu, Comovido a
Oeste, rivaliza sem desfavor (no texto que transcrevemos está
fervor, mas trata-se certamente de uma gralha) com O Doido e a Morte teatral
de Raul Brandão, para além do achado quase idêntico do tema. Nemésio
revela que teve o gosto de ler «in loco» (salvo os horrores do «barracão»)
A Selva e de ter podido palpitar pelo menos a exactidão climatérica,
ambiental, daquela grande reportagem novelística, que Blaise Cendrars estilizou
em francês para glória e voga universal da literatura portuguesa. O contista
de O Mistério do Paço do Milhafre rejubila-se por a tradução de A Selva
nem às línguas eslavas nem ao magiar ter escapado.26
Por
todas estas razões, Nemésio termina o seu comovido tributo com estas
saudosas e desiludidas palavras, a propósito do enterro de Ferreira de Castro: Enfim,
fui-lhe esperar o féretro ao pé do jardim da Estrela, para o depositar ao pé
da campa de Fielding, de onde lá seguiu ao seu romanesco eterno descanso numa
vereda de Sintra. Já os cravos de Abril tinham perdido algumas pétalas. Feliz
dele, optimista, que não assiste ao cair de outras?27
5.
O Vaticínio de Luiz Francisco Rebello
Luiz
Francisco Rebello, Presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, aceitou
participar no Colóquio sobre "Ferreira de Castro e a Contemporaneidade
Portuguesa" e louvou a feliz iniciativa da Câmara Municipal de Sintra,
que assim retira do injustíssimo esquecimento a que, nos últimos tempos, tem
sido votado, em certa medida, um dos nossos grandes romancistas deste século. Luiz
Francisco Rebello disse estar convicto de que a obra do autor de A Selva será,
no século XXI, tão compreendida e admirada como o foi no tempo que a viu
nascer.28
Luiz
Francisco Rebello afirmou a perenidade da criação literária de Ferreira de
Castro nestes termos altamente encomiásticos e verdadeiros: Fruto de uma
experiência humana dolorosamente vivida e artisticamente transposta, no que tem
de melhor e mais duradouro, esteticamente paradigmática da transição da
literatura romanesca do século XIX para o século XX, ou seja, da neutralidade
naturalista para uma arte socialmente empenhada ( e daí que Ferreira de Castro
haja sido apontado como percursor do neo-realismo), a sua obra - e aqui sim,
atrevo-me a fazer futurologia - subsistirá, nesta transição que não é só
de um século para outro porque é de um milénio para outro milénio, como um
documento humaníssimo e uma mensagem de confiança em valores que nenhuma técnica,
por mais aperfeiçoada e avassaladora, poderá destruir.29
Deixemos de lado
a descuidada ou rápida afirmação sobre a neutralidade naturalista (poder-se-á
verdadeiramente dizer que eram neutros Les Rougon-Macquart, O Crime do Padre
Amaro, O Primo Basílio e tantas outras obras deste cariz?) e retenhamos o
reconhecimento desta função de elo imperecível entre o naturalismo e o
neo-realismo.
6.
Um dos modelos de Oscar Lopes
No
testemunho que enviou para o colóquio de Sintra celebrando a passagem do vigésimo
aniversário do falecimento de Ferreira de Castro, Oscar Lopes afirmou que o
autor de Emigrantes e de A Selva ou de Eternidade não
foi um autor como os outros, - foi o primeiro escritor da sua classe social, que
se antecipou aos neo-realistas (afinal em grande parte universitários, nos anos
30).30
Este
grande crítico e historiador da nossa literatura confessou mesmo que se
considerava um neo-realista (título de que até não gostara) nunca,
tal como Mário Dionísio), seguindo uma pauta que, entre os seus modelos, conta
com A Lã e a Neve, 1947, apesar de certas fraquezas deste livro.31
Oscar Lopes aponta, sem o explicitar, como debilidade aquilo que sobrou de
naturalista ainda na prosa de Ferreira de Castro, o gosto pelas largas descrições.
Com efeito, Oscar Lopes assinalando um dos defeitos que o escritor nem sempre
soube vencer, escreve: a sua narração é por vezes vagarosa, perde-se em minúcias
inúteis, traça muito completamente as cenas, e por vezes falha.32
O
autor de Modo de Ler e de Ler e Depois pergunta, todavia, onde
há cenas mais certeiras do que algumas que figuram em A Selva ou em Emigrantes?
Coloca igualmente esta questão: Onde há uma personalidade tão completa
como a do velho anarquista Marreta de A Lã e a Neve, sem esquecer a cena
nocturna da tempestade de neve na Serra da Estrela.33
Oscar
Lopes afirma que Ferreira de Castro veio a ser a representação literária
do povo rural português e que A Lã e a Neve é o seu livro mais
equilibrado (apesar de lhe faltar o fundo epopeico da Amazónia)34
7.
A grandeza de Ferreira de Castro, segundo Urbano Tavares Rodrigues
No
texto "A Obra de Ferreira de Castro e o Neo-realismo Literário em
Portugal", Urbano Tavares Rodrigues salienta que o grande mestre de
Ferreira de Castro foi, é sabido, a própria vida, a experiência da emigração,
da miséria, do sofrimento; lembra porém, que entre os seus mentores, além
de Hugo e de Eugène Sue, estavam Zola, especialmente o de Germinal e Le
Travail e os grandes escritores russos, de Tolstoi e Gogol a Máximo Gorki. Urbano
Tavares Rodrigues realça ainda o facto de Ferreira de Castro ter sido o
primeiro escritor português que começ(ou) a desbravar o terreno que os
neo-realistas virão cultivar com espírito programático a partir do final da década
de 3O.35
Depois
de sugerir como, em Germinal, a arte de narrador de Zola transformou a
reportagem em romance, Urbano Tavares Rodrigues estabelece a aproximação
entre o naturalismo de Zola e de Ferreira de Castro e o neo-realismo de Alves
Redol ou de Soeiro Pereira Gomes, nestes termos: Outro tanto se verifica nas
ficções de Ferreira de Castro, como Emigrantes ou Terra Fria (A
Selva, sua esplêndida obra-prima está tão perto do vivido que quase cola
à existência do autor) e depois em muitos romances de Alves Redol, e até
certo ponto nos de Soeiro, também muito à beira do directamente observado. Referindo-se
à visão da história como luta de classes, característica do
neo-realismo, Urbano Tavares Rodrigues assegura que em Ferreira de Castro
divisamos já essa claridade, essa esperança que, antes de ser neo-realista, é
humanista, acrescentando que lhe parecia inteiramente justo reconhecer a
grandeza desse sopro de fraternidade, dessa ânsia de justiça social, que muito
contribuiu para a expansão e a internacionalização da obra de Ferreira de
Castro36.
Nesse
texto, Urbano Tavares Rodrigues consagra límpidos e elogiosos parágrafos ao
protagonista de Emigrantes e proclama que A Selva é o livro
excepcional, que se escreve uma só vez na existência de um romancista: a
narrativa matricial, cântico, elegia, tragédia, diário de suplícios e
deslumbramentos. Urbano pensa também que o pioneiro que fora Ferreira de
Castro não ficou indiferente ao aparecimento dos primeiros textos
neo-realistas e que se deixou impregnar
parcialmente pela nova corrente literária: o percursor
que fora Ferreira de Castro é por seu turno marcado peio maior rigor da nova
escola, pelo estudo a qve, uns mais do que outros, procedem os expoentes desta
literatura cujo «deus oculto» é o marxismo. Isso nota-se -prossegue
Urbano Tavares Rodrigues -, particularmente na elaboração dos romances A
Lã e a Neve (1947) e A Curva da Estrada (1950)37.
O
autor de Exílio Perturbado afirma que em A Curva da Estrada, numa
fase da evolução do neo-realismo literário português em que a subjectividade
reconquista os seus direitos, Ferreira de Castro demonstra um conhecimento da
alma humana e uma capacidade de caracterização psicológica das personagens
que nunca ainda a sua obra, com semelhante riqueza, nos havia dado. No balanço
final da sua apreciação crítica da obra do autor de Instinto Supremo, Urbano
Tavares Rodrigues declara: O que por vezes falta nos romances de Ferreira de
Castro, carpinteirados aliás com amplo fôlego, em subtileza e elegância estilística
sobeja-lhe neste fervor social, que não pactua com qualquer visão cor de rosa
do mundo, antes viceja, robusto, entre as contradições, desfalecimentos e
crises da nossa espécie. A grandeza de Ferreira de Castro vem daí, da força
desse amor.38 O autor de Desta
Água Beberei rende assim justiça ao escritor português que talvez mais a
tenha amado e que provavelmente mais por ela lutou, fazendo, nesta conclusão do
seu texto, um elogio que muitos outros autores poderão invejar.
8.
Figueira Gomes, Roberto Nobre, Namora, Migueis, Jaime Brasil e o pioneirismo de
Ferreira de Castro
Alberto
Figueira Comes, por ocasião do 33.º Aniversário da publicação de uma
obra-prima - cujo cenário é a Madeira -, referindo-se, obviamente, a Eternidade,
não deixa também de assinalar o pioneirismo do autor de Emigrantes com
estas calorosas e entusiásticas observações: O nome de Ferreira de Castro
inscreve-se ao alto, entre os de maior vulto, nome bem digno de um Prémio Nobel.
Na revolução literária, ele fora o primeiro a abordar, com penetração e
coragem, o romance de tendência social - com essa obra-prima que é A Selva,
genial e áspera como um brilhante estranho.39
Roberto
Nobre, nobre amigo do escritor, no artigo intitulado "O Escritor e Manuel
da Bouça", publicado no Comércio do Porto, afirma certeiramente
que Emigrantes vira(va) costas à literatura pela literatura, pois
nesse romance, muito
intencionalmente, o escasso nível do camponês era apresentado ali como um
problema social e não apenas olhado como um displicente motivo de estilo e
pitoresco. A prosa cuidada? Interroga
e responde: Sim, mas límpida e dúctil, sem qualquer barroquismo. A
literatura era um meio de revelar o tema e não um fim em si próprio. Não
vinha fazer literatura regionalista, mas o oposto do que esta se propunha.40
Roberto
Nobre acha mesmo que em muito"s dos trabalhos escritos apressadamente por
Ferreira de Castro para ganhar o pão quotidiano, transparece já o seu
futuro neo-realismo. Repare-se que o companheiro de o autor de Emigrantes,
nem sequer apresenta o escritor seu amigo como um percursor do neo-realismo,
mas como sendo já o primeiro neo-realista. Volta a fazê-lo, nesse mesmo
artigo, ainda mais claramente nesta passagem: Naquele seu primeiro romance,
estava o emigrante português, como paradigma do emigrante humilde de todo o
mundo. Era o neo-realismo, embora então ainda assim não estivesse crismado.41
Roberto Nobre situa esse documento humano e social como a primeira
manifestação mundial de uma literatura que estava para nascer. Nos dois últimos
parágrafos do seu artigo, pode ler-se: Para se ter uma noção da
perspectiva do novo sentido que trazia à literatura, basta notarmos que
Emigrantes é de 1928, quando Tortilha Flate, de Steinbeck, é de 1938, como a
Luta Incerta, deste último e a sua obra tida como a mais fortemente propulsora
das novas intenções humanas e sociais, é de 1937. As Vinhas da Ira apareceria
em 1939. /Chegara a hora do que se viria a chamar neo-realismo (...) Coube a
Ferreira de Castro o papel de pioneiro, aquela gloriosa oportunidade do escritor
que chegou na época própria, soube antevê-la e corresponder perfeitamente a
ela.42
Na
sua vibrante homenagem a Ferreira de Castro, no já citado texto, Fernando
Namora também salienta o lado inovador do autor de Emigrantes. Escreve o
criador de Fogo na Noite Escura que a literatura que se soltou das
grades esotéricas e, reencontrando a gente verdadeira, os pesares comuns à
maioria dos homens, a si própria se reencontrou, a literatura que, com Ferreira
de Castro como pioneiro, foi específica de um tempo português e no mesmo
passo, e por isso mesmo se fez universal - nem sempre, durante estas ásperas décadas,
esteve na crista da onda. Acrescenta Fernando Namora: Pelo contrário. Em
especial nos últimos anos, quando o formalismo gratuito se agudizou, querendo
isolar as obras das estruturas mais vastas que as englobam (histórica, política,
social) e, isolando-as. Apoucou as que se negavam a essa gratuitidade, nos últimos
anos, quando os volúveis, que adulam as maçonarias episodicamente
triunfantes e por elas são aduladas, correram a desembaraçar-se de laços
comprometedores, como agora estão de novo de faro no vento - Ferreira de Castro
deu mais um sinal daquela serenidade que o fez permanecer ele próprio -
fiel às suas opções, às suas directrizes, ao seu molde, como fiel sempre
foi às suas amizades. Serenamente coerente. Como na vida. Namora assevera
que a sua morte se tornou um sfmbolo de tudo quanto foi luta e de quanto é
vitória.43 Nesse mesmo
depoimento, o autor de As Sete Partidas do Mundo e de Retalhos da Vida
de um Médico teceu este sentido e bem justificado panegírico do criador de
Eternidade: Se houve escritor que exemplificasse quanto a literatura
é comunhão entre os homens, desígnio transformador, apelo à justiça e nunca
à intolerância, apelo ao convívio confiante e nunca ao sectarismo que escorre
sangue, se houve escritor que mostrou quanto a libertação intelectual é
indissolúvel da libertação social e por esta se bate, se houve, em suma,
escritor «humanista», esse foi Ferreira de Castro.44
José
Rodrigues Migueis escreveu que a morte do escritor a quem prestava o
seu preito deixa(va) em aberto, para a Literatura Portuguesa, uma via que
lhe era desconhecida até ao momento em que se revelou - e se impôs - o
extraordinário prosador de «A SELVA»: a da audiência internacional. Migueis,
depois de referir o lugar
invejável entre os ficcionistas de todo o Mundo ocupado por Ferreira de
Castro, que a seu ver se singularizou pela indispensável sinceridade, intuição
e vivência da problemática do homem contemporâneo, peia recusa da retórica e
das facilidades formais, proclama que «A SELVA», «Emigrantes», «A Lã e
a Neve», entre outros títulos de Ferreira de Castro, representam trabalhos de
excelente nível, que o situam no plano dos romancistas válidos do nosso tempo.
45 Voltando a lembrar o lugar
indisputável e invejável entre os romancistas de todos os países que
Ferreira de Castro alcançou, Migueis aponta como características da obra do
famoso escritor: um excepcional poder de apreensão da realidade quotidiana,
um realismo multifacetado e o sentido lúcido das iniquidades sociais que
esmaltaram o nosso tempo português e não só, uma vez que o romance «A Curva
da Estrada», se debruça inteligentemente sobre a realidade espanhola que
acompanha a guerra civil.46
Jaime
Brasil, como não podia deixar de ser, atribui-lhe também a prioridade na
implantação na literatura nacional da temática de preocupação essencialmente
social. Escreve o grande e corajoso publicista, e fervente admirador de Zola,
que Emigrantes, publicado em 1928, é cronologicamente, a
primeira obra de literatura de sentido social aparecida em língua portuguesa. Deixemos
de lado a afirmação excessiva e categórica que esquece algumas outras obras
anteriores, em especial Amanhã de Abel Botelho, e outras portuguesas e
brasileiras onde a problemática social foi surgindo, mesmo se não com aquela
força e preponderância que adquiriram na obra de Ferreira de Castro, e
passemos outra vez a palavra a Jaime Brasil para o ver acentuar o pioneirismo do
nosso autor: Antecedeu, de vários ano, os romances de temas sociais das
literaturas da América, tanto do Norte como do Centro e do Sul.47
Como vimos, Roberto Nobre também isso afirmou.
9.
O espelho zoliano
Como
Zola, antes dele, descendo às minas de Anzin, e como Redol, depois, que foi
trabalhar na região do Douro e que embarcou com os pescadores da Nazaré, ou
como Jorge Amado peregrinando pelas terras do Cacaii, Ferreira de Castro
conviveu de perto com os transmontanos de Terra Fria, ou com os operários
e pastores de A Lã e a Neve, ou com as bordadeiras de Eternidade, utilizando
um similar método de investigação e um parecido estilo narrativo - com a
diferença de não ter dogmas de suporte estruturando a ficção (no naturalismo
a hereditariedade e o marxismo no neo-realismo, que dão um movimento
mecanicista às obras); além disso, o autor de Emigrantes e de A
Selva, também soube artisticamente transpor experiências vividas
pessoalmente num registo que quase raia a autobiografia, sem apoucar o valor
literário das obras onde espelhou essas vivências.
Se
Ferreira de Castro prenuncia o neo-realismo, ele é também um continuador do
naturalismo. Já não temos espaço para desenvolver esta questão, mas bastará
ler o depoimento, com olhos de ver, que o autor de A Curva da Estrada fez
a propósito de Zola, para as comemorações do cinquentenário da morte do
autor dos Rougon-Macquart, para o livro Présence de Zola, publicada
conjuntamente com as de Camus, Caldwell, Cocteau, Hesse, Thomas Mann, Mauriac,
Maurois, Zweig, etc, para se ter uma ideia aproximada do parentesco que os une.
Ferreira de Castro declara nesse testemunho que leu na sua adolescência Zola
com ansiedade, que mais não fosse pelo amor à verdade e à justiça do
escritor francês. Mais tarde, já na idade de análise, Ferreira de
Castro, podendo então ler Zola na língua original, o criador
de Nana pareceu-lhe muito maior do que ele primeiro julgara.48
Leia-se a comparação que Ferreira de Castro estabelece entre Flaubert, Balzac
e Zola e melhor se aquilatará o apreço que ele tinha pelo criador de Germinal;
pelo autor de J'accuse, uma força moral, como lhe chama
Ferreira de Castro, a admiração não era menor, antes pelo contrário.
Ferreira
de Castro diz-se convicto de que a obra de Zola exerceu no Mundo uma influência
muito maior do que a de qualquer outro romancista do século XIX. Em toda a
parte, prossegue o autor de A Lã e a Neve, a literatura se renova
graças ao seu sopro fecundo e revolucionário. Ele foi, para o romance da sua
época, o que Picasso é, de certa maneira, para a pintura moderna. O
pioneiro do neo-realismo português não poupa as suas palavras para engrandecer
o escritor francês que tanto estima: E, escreve ele, durante
cinquenta anos, a França não teve, no estrangeiro, vozes mais altas, mais
escutadas, do que a dele e a de Victor Hugo. Mesmo aqueles que, mais exigentes
do ponto de vista estético, se volviam para outros padrões, não conseguiam
furtar-se inteiramente à influência do criador dos Rougon-Macquart. Literária
e moralmente, o «fenómeno» Zola encheu o nosso planeta durante várias décadas.
E, ainda hoje, o encontramos nas raízes de muitos escritores europeus e
americanos - até nas raízes de alguns que lhe negam a importância e o mérito.
49
O
que Ferreira de Castro escreveu sobre Zola também poderia servir agora para o
seu próprio caso. Ele também poderá ter tido influência na obra de alguns
que agora fingem esquecer-se do que lhe devem, tanto como escritor, como
defensor incansável da Liberdade. Medite-se nas reflexões que sugere a propósito
do rio calmo e comedido que seria Flaubert e da torrente que Zola foi.
10.
A ponte esquecida pelos críticos portugueses
Tudo
o que aqui fica dito mais valor terá se se tiver em conta que Ferreira de
Castro foi um autodidacta que teve a Amazónia, seus perigos e seus encantos,
por Liceu e Faculdade.
O
autor de Emigrantes acabou com o mito do brasileiro de torna-viagem na
literatura portuguesa, que Camilo explorou com mestria, e que ainda hoje,
episodicamente e sem vigor, ressuscita, aqui e ali, metamorfoseado em algum
emigrante que vem de vacanças tomar um drink na sua terra,
espaventar os seus amigos com carros que não correspondem à vida dura que
geralmente leva na selva europeia ou americana onde tenta enriquecer, ou
sobreviver. A riqueza de
muitos deles não é muito mais avantajada do que a de Manuel da Bouça, ou em
todo o caso daquela que trouxe Ferreira de Castro nas suas mãos quase vazias. O
drama destes emigrantes actuais é, por vezes, ainda maior, pois não só não são,
nem voltam ricos, quando podem voltar, e nem sobretudo puderam granjear o rico
pecúlio intelectual com que o futuro autor de A Selva regressou ao seu
país.
Pedro
Álvares Cabral, cujo quinto centenário da sua chegada ao Brasil se celebrará
ao virar do milénio, perdendo-se, achou o Brasil; Ferreira de Castro, enganado
descobre um outro Brasil, bem diferente daquele de que lhe haviam falado, nos
antípodas do Eldorado com que o fizeram sonhar. Do extravio de Cabral, Portugal
deu mais um imenso e belo país ao Mundo, o seu pulmão que muitos teimam em
destruir. Do logro de Ferreira de Castro nasceu uma obra de dimensão universal
e uma longa e rija ponte por onde podem e devem passar seguramente as relações
luso-brasileiras.
Por
todas estas e outras razões que a falta de espaço obriga a calar, Ferreira de
Castro é certamente uma bela e sólida ponte entre o Naturalismo e o
Neo-Realismo, entre Portugal e o Brasil e mesmo entre Portugal e o Mundo.
Soubessem
disso os senhores actuais das cadeiras do poder, político ou mediático e o seu
centenário não passaria despercebido, afogado nos oceanos do esquecimento e
dos fenomenais e espectaculares espectáculos da Expo...
Mas
enfim, como escreveu generosa e sentidamente Jorge Amado, que não é tolo
nenhum e que sabe o que diz e entende do que fala: Sua criação é imortal.
Enquanto existir a língua portuguesa, seus livros serão lidos, enquanto
existirem os povos do Brasil e de Portugal, ele está vivo, em meio a seus
personagens, os seringueiros da Amazónia, os camponeses da Beira-Alta.50
Assim
sendo certos mamíferos solípedes zurram, mas a caravana avança.
79 - BRASIL, Jaime in Ferreira de Castro, Ed. Arcádia, Lisboa, 1961, p. 42.
Folhas,
Letras & Outros Ofícios, Ano II, N.º 3 . Aveiro: Grupo Poético de
Aveiro (Junho, 1998), 48-61.
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10
- Agustina Bessa
Luís, "Testemunho",
no In Memoriam de Ferreira de Castro, Introdução
e Estruturação de Adelino Vieira Neves, Cascais, Arquivo Bio-Bibliográfico
dos Escritores e Homens de Letras de Portugal, 1976, p. 70.
11
- Agustina Bessa-Luís, "Ferreira de Castro", in Vária
Escrita, n.o 3, Sintra, 1996, p. 126.
12 - Id. ibid., p. 123.
13 - Id. ibid., p. 125.
14 - Id. ibid., p. 125.
15-
Id. ibid., p. 126.
16 - Id. ibid., p. 126.
17 - Id. ibid., p. 129.
18
- Obras de Ferreira de Castro, vol. I, 4- ed., Porto, Lello
& Irmão - Editores, 1984, p. XLVII.
19 - Jorge Amado, "Notícia de Ferreira de Castro", in Vária Escrita, n.9 3, Sintra, 1996, p. 15
20 - Id. ibid., p. 16.
21 - Id. ibid., p. 15.
22 - Fernando Namora, "Ferreira de Castro, O Homem, O Escritor", no In Memoriam de Ferreira de Castro, Introdução e Estruturação de Adelino Vieira Neves, Cascais, Arquivo Bio-Biliográfico dos Escritores e Homens de Letras de Portugal, 1976, p. 53.
23 - Id. ibid., p. 53.
24
- Vitorino Nemésio, "Lembrando Ferreira de Castro", no In
Memoriam de Ferreira de Castro, Introdução e Estruturação de Adelino
Vieira Neves, Cascais, Arquivo Bio-Biliográfico dos Escritores e Homens de
Letras de Portugal, 1976, p. 64-65.
25 - Id. ibid., p. 65.
26 - Id. ibid, p. 66.
27 - Id. ibid., p. 67.
28 - Luiz Francisco Rebello, "O Escritor e a Sociedade. Perspectiva para o Século XXI", in Vária Escrita, n.º 3, Sintra, 1996, p. 93 e 98.
29 - Id. ibid., p. 98.
30
- Oscar Lopes "A Contemporaneidade Histórico-Literária Portuguesa",
in Vária Escrita, n.º 3, Sintra, 1996, p. 101.
31 -ld. ibid., p. 104.
32 -Id. ibid., p. 108.
33 - Id. ibid., p. 108.
34 - Id. ibid., p. 101.
35
- Urbano Tavares Rodrigues "A Obra de Ferreira de Castro e o
Neo-Realismo Literário em Portugal", in Vária Escrita, n.º
3, Sintra, 1996, p. 85.
36 - Id. ibid., p. 86.
37 - Id. ibid., p. 88.
38 - Id. ibid., p. 89.
39 - Alberto Figueira Gomes, "Ferreira da Castro e a Madeira", in A Voz da Madeira, Funchal, 1966, retranscrito in Obras de Fevereiro de Castro, vol. I, 4.ª ed., Porto, Lello & Irmãos, 1984, p. 827.
40
- Roberto Nobre, "O Escritor e Manuel da Bouça", in Comércio do
Porto, retranscrito in Obras de Fevereiro de Castro, vol. I, 4.ª ed.,
Porto, Lello & Irmãos, 1984, p. 276.
41
- Id. ibid, p. 277.
42
- Id. ibid., p. 277.
43 - Op. Cit. p. 56.
44 - Op. Cit., p. 55.
45
- José Rodrigues Migueis, "Ferreira de Castro: Exemplo de Humildade
e de Sinceridade de um Operário das Letras", no In Memoriam de Ferreira de
Castro, Introdução e Estruturação de Adelino Vieira Neves, Cascais, Arquivo
Bio-Bíbliográfico dos Escritores e Homens de Letras de Portugal, 1976, p. 99.
46 - Id., ibid., p. 100.
47 - Jaime Brasil, Ferreira de Castro - A Obra e o Homem, reproduzido no In Memoriam de Ferreira de Castro, Introdução e Estruturação de Adelino Vieira Neves, Cascais, Arquivo Bio-Bibliográfico dos Escritores e Homens de Letras de Portugal, 1976, p. 37-38.
48
- Ferreira de Castro, "Émile Zola", Vértice, vol. XIII,
n.º 114, Coimbra, Fevereiro de 1953, p. 69-70, reproduzido in Vária
Escrita, n.º 3, Sintra, 1996, p. 193.
49
- Id., ibid.,
p.194-195.
50
. Op. Cit.,
p.16.
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